Como lidar com conflitos e melhorar relacionamentos?
- Jader Mendes

- 3 de set. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 11 de set. de 2025

Certamente não preciso dizer o quanto pode ser difícil se relacionar nos dias de hoje e a profunda dor a que estamos sujeitos ao não sabermos lidar com os conflitos. Essa falta de lucidez nos coloca em um ciclo de ataque e defesa. As críticas, acusações, julgamentos, cobranças e punições são padrões habituais que em nada contribuem para um diálogo construtivo.
Precisamos entender de maneira mais profunda as causas dos conflitos e encontrar um novo caminho de interação. Dessa forma os obstáculos podem se transformar em oportunidades de crescimento pessoal e maior conexão nas relações.
O PONTO CENTRAL DOS CONFLITOS: A GUERRA DAS ESTRATÉGIAS
(Quem tem a melhor solução?)
Temos a mania de achar que sabemos a melhor solução pra tudo. Tão logo aparece uma situação, prontamente temos uma ideia de como as coisas deveriam ser. O problema é que as outras pessoas também já tem um caminho pronto dentro da cabeça.
Então, entramos numa luta pra tentar convencer o outro de que a nossa estratégia é a melhor. Num jogo pra saber: “quem tem a razão?”
Mas não adianta vir com uma ideia pronta, por mais maravilhosa que ela pareça, se ela não atende o que as outras pessoas precisam.
O problema básico é que queremos fazer as coisas "do nosso jeito", ao invés de estarmos abertos para construirmos um espaço de diálogo, escuta profunda e soluções em parceria.
COMO CONSTRUIR EM PARCERIA?
(dicas práticas)
- Observe as suas intenções: Mantenha no coração um desejo sincero de se conectar com as pessoas e cultivar o respeito e o entendimento mútuo. Principalmente durante conversas difíceis. Desarme-se!
- Não congele as pessoas num rótulo: (ex: egoísta, ignorante, etc.). Todos nós podemos amadurecer e nos transformar.
- Evite acusações: Esclareça as coisas que te agradam ou não, de maneira clara e específica. Não misture os fatos com seus julgamentos pessoais, classificando algo como certo ou errado, por exemplo. Isso ajuda na compreensão do que está acontecendo e evita que a sua fala seja percebida como um ataque ou crítica.
- Evite mal entendidos: Principalmente nos momentos de maior tensão, crie o hábito de checar se você compreendeu corretamente o que estão tentando lhe dizer. Fale o que você entendeu e confirme se está correto. Certifique-se também de que está sendo realmente compreendido. Peça pra pessoa falar o que ela entendeu do que você lhe falou, para confirmar se está havendo uma compreensão correta. Nem sempre a mensagem enviada é a mensagem recebida. Esse hábito pode salvar uma relação.
IDENTIFICANDO E EXPRESSANDO SENTIMENTOS
Estarmos conscientes dos sentimentos envolvidos é fundamental para gerarmos conexão e fugirmos da esfera dos julgamentos. Por isso, é importante abrir espaço para que as pessoas acessem os sentimentos que estão dentro de nós e, igualmente, reconhecermos os sentimentos dos outros. Dessa forma:
- Ouça com empatia: Esteja aberto para ouvir sem julgamentos, atento aos sentimentos e as necessidades. Procurando entender as outras pessoas dentro do mundo delas.
- Expresse os seus sentimentos: Com sinceridade e humildade, procure expressar os seus sentimentos de maneira vulnerável. Revele os seus medos e a suas expectativas.
- Assuma a responsabilidade pelos seus sentimentos: Não culpabilize os outros pelo que você está sentindo, o que os outros fazem pode ser um estímulo ou gatilho para nossos sentimentos, mas jamais a causa.
- Ligue a causa dos seus sentimentos às suas necessidades: Esse ponto é transformador! Por exemplo, ao invés de dizer: “Me sinto triste porque VOCÊ não está me deixando ver o meu filho”. Você pode dizer: “Me sinto triste porque EU sinto falta de ver o meu filho”. No primeiro caso a chance da pessoa perceber essa fala como um ataque pessoal é muito grande. No segundo caso, quando se liga o sentimento a necessidade (de ver o filho), assume-se a responsabilidade pelo sentimento.
RECONHECENDO AS NECESSIDADES
Todos esses passos vão abrir o caminho para chegarmos ao ponto central dos conflitos: as NECESSIDADES. Sem as entendermos, dificilmente encontraremos uma estratégia que seja boa para todos.
Precisamos nos ouvir profundamente para entendermos quais as coisas que precisam ser cuidadas. Descobrir o que cada um está realmente precisando e só a partir daí procurarmos uma solução em conjunto. Esse ponto é crucial! Uma vez que as necessidades são reconhecidas, o caminho para criarmos uma estratégia se torna natural.
UM FLUXO NATURAL DE DAR E RECEBER
Pra finalizar, é importante lembrar que uma relação só funciona em harmonia quando existe um fluxo natural de dar e receber. Ninguém é obrigado a atender nossas necessidades. As pessoas são seres livres; e acreditar que alguém tem alguma obrigação de nos atender, simplesmente porque cumpre algum tipo de papel na relação, vai levar por um caminho de resistência, raiva e mágoas. As cobranças tendem a ser um obstáculo nas relações, dificultando a colaboração.
Por isso, aprenda a pedir de maneira genuína, sempre levando em consideração as necessidades dos outros. Isso significa aceitar a colaboração do outro somente quando isso é feito de bom grado, pelo desejo sincero de colaborar. Quando alguém lhe diz um “não” e você não reage bem, fica com raiva, magoado ou de “cara fechada”, é um sinal de que, no fundo, não era um pedido, mas uma exigência disfarçada de pedido que você estava fazendo.
Ninguém é imprescindível; sempre haverá muitas possibilidades para que você possa atender às suas necessidades. Não se fixe a uma estratégia ou a uma pessoa específica, mas procure pelas pessoas mais adequadas para atender àquilo que você precisa.
A TERAPIA PODE TE AJUDAR NESSE PROCESSO
Transformar a forma como reagimos aos conflitos e aprender a nos comunicarmos de uma maneira mais compassiva e efetiva é um processo que envolve paciência e resiliência. Com prática e dedicação, podemos criar relacionamentos mais saudáveis e construtivos. Se você precisa de ajuda nesse processo, considere buscar apoio de um profissional qualificado.

